O CANTINHO DA POESIA

SOLIDÃO

Naquela mesa sentada

olhando tudo em redor

olhos cansados de alguém

que carrega imensa dor.

Da sua saca tirou

o seu pobre manjar

uma maçã que lhe deram

para a sua fome matar.

E naquela casa ninguém

reparava na triste velhinha

que, lentamente, coitada,

descascava sua maçãzinha

e enquanto comia em silêncio

olhava as pessoas que se sentavam,

comiam e conversavam,

sem reparar que alguém

mudamente lhes suplicava:

“_Dêem-me alguma comida!”

Mas no meio daquels mesas

alguém se apercebeu

daquele olhar suplicante

de quem já tudo perdeu.

Com lágrimas nos olhos

e bastante comovida

o empregado chamei

e a ele perguntei

se aquela velhinha

naquela mesa sozinha

franzina e entristecida

já tinha sido servida.

Perante a minha pergunta

o empregado respondeu:

_ Já comeu uma sopinha,

um rissol e uma maçã,

que alguém caridoso lhe deu.

Depois disto dizer,

disse-me “obrigado”

seus olhos ficaram aguados

perante tamanho cuidado.

Olhei para a velhinha

que sorria meigamente

retorqui-lhe de igual modo

e sai daquele ambiente.

Pelo caminho, pensava,

que apesar da vida agitada

que levamos hoje em dia,

ainda há quem repare

(mas talvez uma minoria)

em quem padece em silêncio

e com idade avançada

sem posses mas com necessidade

que lhe estendam a mão.

Como quem ao ouvido fale:

_ Vem, também és meu irmão!

Fátima Afonso

O ESPANTALHO PINTOR

Eu sou o espantalho pintor

com o pincel sou um artista

encho tudo de luz e cor

sou um verdadeiro alquimista.

Pinto casas, pinto telhas,

com um belo vermelhinho

pinto o céu e o bonito mar

num tom bem azulinho.

De branco pinto as nuvens

e a neve muito fofinha

árvores bem verdejantes

e a relva muito verdinha.

Os jardins são um encanto

pleno de flores coloridas

que a magia do meu pincel

transforma em cores vivas.

Nos rostos dos mais pequenos

(Que são os meus preferidos)

um sorriso aberto eu pinto,

usando tons bem garridos…

de quem tudo quer ver

ávidos de todo o saber

e tudo compreender…

e quão espantados ficam

que o meu rápido pincel,

como louco carrossel,

tudo faz girar e transformar,

veloz como um corcel…

olhos esbugalhados,

atónitos, admirados,

fixos no seu traço

me envolvem num grande abraço….

Eu sou o espantalho pintor

que tudo transforma…. em amor.

Fátima Afonso

MOMENTOS IGUAIS

O momento,

efémero como a vida é,

bebia-se num olhar fugaz,

naquele entardecer

como só a natureza sabe fazer.

Ali mesmo, ao pé

de entre tantas,

a gotinha de orvalho

escorria, leve e pura,

por entre a folhagem verde

de um ramo qualquer

e rolando, ao de leve,

como um carinho de mãe,

deixou-se cair, de mansinho,

em outras folhagens suas

ficando agora, meu Deus!

Não em uma,

mas em duas

duas gotinhas de orvalho

iguais, mesmo iguais,

rolaram agora bem juntas

por entre a folhagem verde

de um outro ramo qualquer,

e a mãe, agora feliz,

deste sonho assim tão belo,

retira dele as gotinhas,

iguais, mesmo iguais,

na sua mão

guardando-as,

e num gesto de carinho

que só as mães sabem ter,

entra outra vez no sonho

deixando-se adormecer,

mas seria mesmo um sonho?

Talvez….

p´ra isso basta só querer.

João Manuel

VALE A PENA

Viver …morrer …

de que é que serve?

O tempo é tão curto,

a vida é tão breve!

Neste dia-a-dia,

lutando contra o tempo.

Enfrentando a hipocrisia

a toda a hora e momento!

Não há tempo para pensar,

reflectir, analisar

nesta vida de corre-corre…

haverá tempo para amar?

Projectos, ambições

incertezas desmedidas…

são marcas do nosso tempo….

tristezas incompreendidas!

Neste mundo de egoísmo

não há tempo para olhar

o amigo ou o vizinho

que devemos ajudar.

Mas será que vale a pena

neste mundo assim viver?

onde o egoísmo impera…

como sobreviver?

Aquele que tudo quer

e “luta” para vencer

pisando, humilhando

aniquilando e espezinhando

não interessa quem…

não interessa como…

o objecto final

é alcançar o poder.

E uma vez lá chegado

ao cimo do pedestal

“goza o panorama”

infla e exclama:

_ Eu consegui, afinal!

Mas não é justo,

não é certo,

que todo esse sucesso

injustamento alcançado,

dê àquele o direito

de gritar a pleno peito:

_Eu quero,

_eu mando,

_ eu posso…

Já estou realizado!

E por um breve momento

vaqueou meu pensamento

nestas linhas obscuras….

há que tomar alento

e lutar contra o tempo,

que a vida é como um “Ai”,

tão depressa vem como vai.

Há que apostar no futuro

tão breve quanto duro

de incertezas, buscas, ilusões….

há que vencer o medo

e todas as frustrações!

Fátima Afonso

RETRATO

Não sei por onde começar

não sei o que hei-de dizer….

mas queria salientar

um professor exemplar

dedicado a ensinar,

a ler e a escrever….

e cuja sensibilidade

(ou sentido de oportunidade)

aguçada até mais não

consegue fazer-se ouvir

(sem, no entanto, gritar)

chegando a sua voz até aqueles

que no meio do burburinho

se vão acalmendo,…baixinho,…

para sorver as palavras

adequadas e pensadas

a um público por si só

barulhento mas atento

interessado em colaborar

e também em aprender.

Com um sorriso nos lábios

(quiçá, motivador,…)

sugerindo e atendendo

a todos os pormenores

convivendo e dialogando

das experiências que se vão tendo

estando sempre latente

a habilidade do docente

que sabe motivar e cativar

ensinando o que sabe:

a arte de bem comunicar.

E do meu cantinho

eu digo,

em tom sincero

e amigo:

_ obrigada professor!

Fátima Afonso

 

Aos alunos do 4º E

A sala de aula é para aprender.

À biblioteca vamos ler.

No recreio, toca a brincar…

Em casa é preciso estudar.

Com a minha ajuda

Aprendeis a crescer

E com todos vós

Eu continuo a aprender.

Durante as vossas vidas

Fazei grandes progressos

Com etapas bem vencidas

Conseguireis grandes sucessos.

Alunos muito queridos

A todos quero ajudar

Por mim nunca serão esquecidos

Passe o tempo que passar.

A professora

Ana Maria

O Nosso Mundo

Quando o mundo está triste

Não devemos desanimar

Devemos acordar para a vida

E o mundo salvar.

Com a água dos lagos

Árvores, podemos plantar.

Dar água aos animais

Para cede não passar.

Com a luz do sol

O dia podemos distinguir

Mas o nosso mundo

Não devemos poluir.

Uva

Um amigo

Um amigo está contigo

Nos bons e maus momentos,

E quando pensas que não está

Lá está ele, bem presente, na tua mente.

Ajuda-te quando precisas,

Esforça-se para te compreender

Elogia-te pelo que és,

Trate-te como deve ser.

Um amigo

Dá-te carinho.

Um amigo

Leva-te para um bom caminho.

Quando precisas

Um amigo está presente

Para te ajudar

E cuida.

Magotita Corena

A Lua

Penso muitas vezes

Que a lua é curva.

Acordo à noite

Para a espreitar.

Mas não ganho nada

Porque a essa hora

Está tudo a dormir

E a ressonar

E será talvez

Por essa razão

Que às vezes de dia

Ela nos espia.

Matilde

Horas da noite

Já vai embora o sol do céu.

A lua olhou para a minha janela.

Mesmo acender as estrelas do céu.

Todo o sono, sono e tristeza.

Eu vou para o jardim e passeio.

Quando a lua aparece, eu canto.

Como é lindo aqui e calmo.

Nesta hora de esquecer a aflição!

Jardins redondos, casa branca.

Quando eu canto esqueço as cosias más.

Ai que bonito país!

A noite chegou à casa branca.

Como as crianças pequenas têm.

O vento da Primavera sopra calmamente.

Como as mães abanam as camas às suas crianças.

Marga

Foi por causa de ti, Professora

Pedi – te uma mão.
E deste – me as duas.
Abertas,
Doces e meigas,
Como flores do meu jardim,
Que tu sabes ainda por acabar.
E deste – me o teu olhar,
A tua serenidade
E mesmo a tua paz,
Como quem adivinha
Que o meu jardim incompleto,
Um dia irá florir,
E eu hei – de conseguir
Pintá-lo de muitas cores,
Como qualquer criança o faz.

Foi por causa de ti, Professora
Que esperei o teu regresso,
E agora mais crescida,
Tenho nas tuas mãos
No teu sereno olhar,
A certeza
Que as duas, eu e tu,
Saberemos encontrar
O meu jardim completo,
Sem flores por acabar.
E hei – de crescer e lembrar –me
Que foi por causa de ti
Que comprei cadernos e livros,
Borrachas e lápis de cor.
Para podermos riscar
Novos caminhos de vida,
Feitos de um ensinar
Que agora recomeço
Com traços de nova cor
E eu, enquanto criança
Aprendi a superar.
E tu, Professora, sorris
Porque soubeste – me dar
Mais vontade em ser feliz!
Que linda és, Professora.
João Manuel

De quem é a culpa

Eu hei-de escrever-te em poema
Menino a preto e branco,
Hei-de ser o portador
De uma voz que não se cale,
Direi a todos os outros,
Direi a todos de nós,
Que és menino sem rumo,
Filho da rua e do vento,
A quem não quiseram dar
O direito de sonhar.

Tiraram-te as palavras,
Em troca de uma vida,
Que tens que saber tua,
Mesmo que sintas e saibas
Que não é esse o teu viver
Nem o sonho de crescer
No meio de tantas raivas.

Direi a todos os outros,
Direi a todos de nós,
Que és menino do nada
Que és menino sem voz
Filho da rua e do vento,
Por culpa de todos nós.

João Manuel

2d.jpg

Desenho dos alunos do 2.º ano D

Biblioteca Escolar oferece aos alunos

em

Dia de S. Valentim

O 14 de Fevereiro,
É dia que não tem fim,
Festejamos a amizade
Em dia de S. Valentim.

Neste dia tão diferente
Em que a amizade é maior,
S. Valentim está contente,
Descobrimos mais amor.

É dia de uma flor,
Oferecida a quem gostamos.
Trocamos molhadas de amor
Por mil beijos aos ramos.

Escolhe a flor que mais gostas,
Procura o amigo melhor,
Oferece-a com um sorriso
Recebes um beijo de amor.

Este amor de que te falo
É amor de S. Valentim.
É a amizade a sorrir
Em dia que não tem fim.

Dá a mão ao teu amigo
Um beijo, e uma flor
Guarda-o bem, sempre contigo,
Deixa-o crescer em amor.

E para que nunca te esqueças,
Deste dia tão diferente,
Dá um beijo a quem mais gostas,
Um sorriso a toda a gente.

Dou-vos a todos um beijo,
No dia de S. Valentim.
Ao ódio digo que não,
Ao amor dizemos que sim.

João Manuel

SOMOS O QUE SOMOS

Somos o que somos
Porque somos assim.
Só nós.
A essência, a coragem,
O começo e o fim.
Sem qualidades nem defeitos,
Sem problemas,
Nem barreira,
Somos, apenas.
O resto,
O que sobra de nós,
Molda-nos um parecer,
Que não é nosso.
Nós somos transformação,
Dia a dia, meses, anos sem fim…
A culpa,
Esse engano
Que nos vestiram ao nascer,
Tem que entender
Que não nos pode moldar.
Ela torna-nos frágeis,
Transparentes,
Pequenos.
Mas por ela existir,
por ela nos querer vestir,
Nós sabemos,
Eu sei,
Que nós, eu, tu e os outros
Somos o que somos
Porque somos assim…
Até ao fim,
Até termos
Coragem de dizer sim…
Sempre!

João Manuel

SEI DE UM TEMPO ESQUECIDO…

Eu era o vento,
Pelos campos sem fim,
Descalço, fisga no bolso,
Com vontade de beber a natureza.
Eu era o sol,
Cansado, em tons de laranja forte,
A denunciar o seu dormir,
Eu era o odor da
Terra molhada, o cheiro
A jasmim e a morangos vermelhos.
Eu era criança …
Ar e vento a passearem num
Último raio de sol …
Sentia-me bem assim.
Crescer, não.
Crescer era conversa dos grandes.
… mas cresci.
A vida passou por mim.
Sem eu dar por nada
(ou dei e fingi não notar …)
Sou eu. Agora.
Já não corro pelos campos,
A minha fisga,
Repousa esquecida no sótão,
A cumprir pena,
Das vítimas que fez.
Já não corro pelos campos.
Resolvo problemas,
Derrubo muros
Tento resistir! …
Mas guardo dentro de mim,
A criança que fui.
Sonho com ela
E isso dá-me força
Para voltar a pensar
Campos fora, fisga no bolso,
Pés descalços…
Sei de um tempo esquecido,
Que apetece lembrar
Sempre que ficamos vazios…
… quando temos pouco a dar.
Mas amanhã,
Ou noutro dia,
Tudo volta a mudar.
Sei de um tempo esquecido…
Que me ajuda a acreditar
Que a vida é o ir e vir,
E isso faz-me pensar
Que é tempo de reagir
E recordando o ontem,
Pôr o hoje a querer sorrir.
João Manuel

OPOSTOS

As mãos que agora te escrevem,
Vida feita de opostos,
Serão as mesmas mãos
Que amanhã,
Ou num outro dia qualquer
Já cansadas e trémulas,
Te hão-de folhear,
E abrir-te em recordações,
De um tempo
Que não queres esquecido.

Mas,
Que nos opostos da vida
Te hão-de fazer recordar
O quanto foste
E te deste aos outros
Aos teus amigos
E melhor ainda,
Àqueles
De quem nunca soubeste gostar

A vida é feita de opostos,
De emoções ou esperança vã
De anseios e desencantos.

Ficam assim neste livro,
Guardadas, nunca esquecidas,
As tuas emoções de hoje,
Recordações de amanhã
João Manuel

POEMA ESCUSADO

O que te move, amiga
Que não queres ver
O que todos ouvimos com os olhos?
Lidas com crianças,
Flores a crescer todos os dias,
E que gostam do seu jardim,
Que teimas em não querer pintar de verde.

Pára, amiga
Para poderes reflectir
E ouve,
De uma vez por todas
Aquilo que teimas em não ouvir!

Uma criança merece respeito
E respeitá-la,
È aceitar que não podemos,
Mesmo que a vida,
A tua vida,
Te diga que não podes ir em frente.

E se o fizeres,
E ouvires a tua razão,
Muda de ideias,
Pelos meninos,
Que a tua teimosia não deixa crescer.

Uma criança só cresce,
Se a vida nos oferecer
O dom de a poder formar,
Mas a vida não se esquece,
Nunca se há-de esquecer
Que, se quiseres
Mesmo sem ouvires,
Podes faze-los crescer,
Podes faze-los sorrir,
Pensa, nisto, amiga
E deixa-os crescer…
Assim, aprenderás a ouvir,
E tu, também,
Aprenderás a sorrir.

João Manuel

luisa2.jpg

Naquela pastelaria

Naquela pastelaria
Já não sei como falar;
Pedi ao moço um cachorro,
Deram-me um cão a ladrar.

Naquela pastelaria
Irritei-me, dei um berro;
Pedi um prego no pão,
Deram-me um prego de ferro.

Naquela pastelaria
Quis um garoto beber;
Puseram um rapazinho
Num copo para aquecer.

Naquela pastelaria
Quando a conta quis pagar,
Vejam lá que me trouxeram
Uma conta de colar!

Luísa Ducla Soares

VERSOS DE NATAL
Poema recém-nascido

Silêncio…!
A mamã dorme,
Serena,
Como se fora criança.

E ser criança, mamã,
É saber o teu esforço,
Adivinhar tua dor,
E o meu grito, mamã,
O meu primeiro grito,
Envolto na tua dor,
Uma dor apetecida,
Faz do acto de nascer
Um acto puro de amor,
Um hino à própria VIDA!

Vivi em ti muitos meses,
Sei dos teus medos, inquietudes
Angústias e alegrias.
Partilhei o teu desejo
De me acolher nos teus braços,
E poderes dar-me, enfim;
Aquele primeiro beijo!

Dorme serena, mamã…

Retirei com ternura
Um raio de sol atrevido,
Que teimava em acordar-te,
E com ele escrevi,
Na palma da tua mão
O meu primeiro poema,
Para que o guardes em ti
Dentro do teu coração.

Dorme serena, mamã…

E sem por isso dares conta
Peguei-te na outra mão,
Na travesseira esquecida.
Beijei-a com tanto amor,
Que tenho em mim a certeza
Que me há-de conduzir
O resto da minha vida.

Dorme serena, mamã…

E quando o papá chegar,
Sei que este é o teu desejo.
Acorda, bem devagar…
Sorri-lhe,
Mas não lhe contes
O poema que te fiz, guarda-o na tua mão,
Lê-lho num grande beijo!

João Manuel

“ …O NATAL ACONTECE, SIMPLESMENTE!”

Homenagem a um amigo, a quem a vida trocou a luz, por um pôr-do-sol, sem amanhecer… João Manuel

TUDO DO NADA VEIO
(à sociedade)

Tudo do nada veio
A luz, a cor e a forma
O ar que respiro, a brisa morna
Os fios de cabelo que adorna
A perfeição do teu seio

Tudo do nada veio
A vida abundante, a calma
O fruto, o corpo, a alma
E à imortalidade por palma
O homem age com receio

Tudo do nada veio
O tempo, a vida e a morte
A tua e a minha sorte
O ódio e a paixão forte
E a felicidade que anseio

E tudo do nada veio
A paz, a guerra e a dor
Os servos e o feudal senhor
Os oprimidos e o opressor
A desgraça que nos jornais leio

Mas tudo do nada veio
A verdade, a paz e o amor
A glória imensa, o esplendor
A arrogância, a mentira e o fedor
Daqueles que tanto odeio

Tudo do nada veio
A mentira na história mal contada
O infortúnio e a sina malfadada
Da mulher criança violada
E o mundo a tudo isto alheio!

Tudo do nada veio
A infâmia, a calúnia e a cilada
A vingança imunda da cruel espada
A cobiça e a ascensão desenfreada,
Dos vermes da roda de que me apeio

Será que tudo do nada veio?
A pobreza do inspirado artista
Que a humilde e nobre arte insista
Na obra-prima que foge à vista
Do cego mundo que mais é que meio

E tudo do nada veio
A mente incipiente e adulterada
Mas esses, não vieram do nada
Pois só tudo do nada veio!

Manuel Beleza

Queridos amigos,
Foi com muita alegria e emoção que recebi a vossa mensagem. As vossas
estrelas vão iluminar o meu Natal, estou certa disso.
Como eu não tenho estrelas ,mando-vos um poema. Aqui vai ele:

Hoje é dia de Natal
Mas o menino Jesus,
Sem berço para se deitar,
Dorme na palha onde o pus.

Comi bacalhau e bolos,
Broas, pinhões e pudim.
Só ele não comeu nada
Do que me deram a mim.

Mas quando estiver sozinho,
Vou pegar-lhe pela mão
E sentá-lo no meu colo
Para ver televisão.

Mil abraços para todos os meninos da
Luísa Ducla Soares

“…A CRIANÇA TEM DIREITO A …”

UMA JANELA ABERTA

Preciso de uma janela.
Faz -me falta.
Aberta, de preferência.
Não gosto de muros,
Paredes mudas,
Brutais,
Que não me deixam voar,
Que me prendem,
A quase tudo.
Com a sua austeridade.
Não gosto!

Preciso de uma janela,
De preferência aberta.
Sim, aberta.
Por onde possa olhar,
Ver para além do nada,
Ou quase nada…
Por uma janela aberta,
Descubro a vida, a luz, a minha razão…
Descubro-te a ti,
Criança sofrida e sem voz,
Que de tão pequena que és,
Já enfrentas muros enormes
Brutais,
Que te rodeiam,
Que te cercam,
E não te merecem os direitos.
A que tens direito,
Só porque és criança sofrida e sem voz!

E eu, que só te adivinho,
Criança de nada,
Pela janela,
Que muitas vezes se fecha,
Porque me distraio,
Ou finjo não dar por nada,
Quero dar -te hoje,
Dia dos teus DIREITOS,
A felicidade de abrir, de par em par,
A janela da tua alegria,
De todos os teus direitos,
Que teimam em não te querer dar.

E eu, espreito-te,
Pela janela entreaberta,
Envergonhado,
E misturo-me,
Entre emoções e desejos.
De te ver crescer em tudo,
Sem muros,
Só janelas,
E mais nada.

Vive o teu dia, Criança,
Veste-o de cor diferente,
E acredita nele,
Criança que és futuro,
Não tenhas medo.

João Manuel

POEMA DE TODAS AS VIDAS

Pus um pedaço de vida
Nas mãos de uma criança

E sem que ela notasse,
Escondi-me, muito ao de leve,
Ao fundo de uma ruela
Uma calçada já gasta
Uma calçada já ida,
De velha e rota p´lo tempo
O tempo da minha vida.

Feliz
Levou-a para a escola,
E num gesto de ternura
Puro e quase infantil,
Repartiu a minha vida
Por mãozitas, quase mil
Que desta semente pequena
Fizeram dos seus destinos
Um novo e belo poema.

Aprenderam que a vida
Se faz de coisas banais,
Em casa, na escola, com todos
Com a coragem precisa
Podiam crescer, mais e mais
Com a força dos amigos
Com o abraço dos pais.

Esperei p´lo pôr-do-sol
E de novo te encontrar,
Criança da minha vida.
Mas pela calçada tão gasta
Descia alguém já crescido,
Pedi-lhe o pedaço da vida
Que antes lhe tinha oferecido.
Deu-me apenas um sorriso,
E num gesto igual ao meu,
Pegou num pedaço de vida
E cheio de confiança
Foi pô-lo, bem de mansinho,
Entre as mãos de outra criança…

João Manuel

CIDADE COM MARGENS

Uma cidade não se escreve, nem tem nome.
É uma cidade, e pronto!
Tem pessoas, molhos de pessoas,
Indiferentes, evasivas, distantes…
Tem automóveis, casas e ruas,
Praças, pintadas de pedra,
E alguns jardins…com pouco verde,
Porque as pessoas, não lêem o verde.
Não aprenderam a ler,
As cores que uma cidade tem.
Sim, porque uma cidade são cores,
São tons imensos,
Pinceladas de tintas suaves,
Ora quentes, ora frias,
Uma cidade é uma tela,
Onde cada um escreve com cores,
A cidade que é mais sua.
Ora mais longa, ora mais curta,
Com mais verde, ou mais azul,
Com rio, ou sem ele,
Tanto faz.
…Ou talvez não!
Uma cidade com rio… ai uma cidade com rio…!
Uma cidade com rio, é diferente
Muda a gente,
Faz mostrar o que se sente,
E num repente, somos mais nós,
Somos mais cidade.
Uma cidade com rio, tem mais magia…
Tem mais poesia, mais encanto.
Tem musas, pintores e ninfas,
Tem tudo o que quisermos ser,
No meio de uma cidade.
Basta apenas querer sonhar,
Somente escrever a pintar,
Apenas sermos cidade,
Apenas nós.
Uma cidade com rio,
É uma cidade com alma,
Tem mais força…
É mais cidade!
Uma cidade não se escreve, nem tem nome,
Mas com rio …
Uma cidade sou eu!

João Manuel

Tive um sonho

Acordei de manhãzinha
Com vontade de brincar
Peguei na mão do meu sonho
E fomos os dois sonhar.
Felizes que nem crianças,
A correr pelo jardim,
Pedi-lhe p´ra ser um livro
E o sonho disse que sim.
Agora não sou o João,
Sou um livro de encantar,
Seguram-me na vossa mão,
E lêem-me, bem devagar.
Eu sou histórias de dragões,
Outras de animais,
Princesas e até anões,
E outras histórias que tais.
Leiam, meninos leiam,
Leiam tudo, sem parar,
Aprendam que ler um livro,
Vos leva sempre a sonhar.
E quando estiverem tristes
A apetecer dizer não,
Abram o livro que gostam
E que se chama JOÃO.
Mas para que isso resulte,
E pareça realidade,
Perguntem ao vosso sonho
Se quer brincar à verdade.
João

Ler é uma festa!

… E as letrinhas,
Cansadas e ofegantes
Sentaram-se aos molhinhos,
Naquela folha do livro.
Pela ordem,
Como antes.
Estavam felizes…!
É que elas tinham tido
Uma festa sem igual!
Brincar à leitura,
Com os olhos de um Menino,
É uma alegria total!
Umas certas, outras tontas,
Todas juntas, de mãos dadas,
Formaram palavras, primeiro …
Depois frases e parágrafos …
Folhas inteiras … sabem lá…!
Cheias de fantasia,
Ou cheias de um fazem de conta…
Que tanta beleza não há!
E os olhos do Menino
Entrando na brincadeira,
Correram, por todas elas
Uma a uma, sem parar.
E às vezes ( p´ra variar )
Enfeitava-as com acentos,
Vírgulas ou até pontos,
Mesmo desses de exclamar!
E o Menino sentiu que o LER,
Era festa de encantar!
E as letrinhas, cansadas.
Mas felizes, pois então,
Deixaram-se adormecer
No calorzinho do livro,
Guardado na sua mão.
E este,
Sem dar por nada,
A dormitar, mas feliz,
Deixou-se levar p´lo sonho.
Do poema que eu lhe fiz!

João Manuel

Respostas

  1. Uma história… uma esmola

    A tua mãozita
    Suja, de vergonha e receio …
    Pedia uma esmola,
    Ou, quem sabe,
    Segurava uma infância
    Que te tiraram,
    E te obrigaram a esquecer
    Menino da rua
    E os teus olhos,
    Rasgados de tristeza,
    De menininho
    Que não te deixaram ser,
    Suplicavam-me uma moeda… só uma…
    E eu, imbecil,
    Como tantos outros,
    Abanava a cabeça,
    Fingindo não te entender.
    A tua triste condição…
    De fingir não seres criança
    Mas guardei-te na memória,
    A promessa feita,
    De ao menos dar-te um sorriso…!
    E em vez de uma esmola,
    Menino da rua,
    Ler-te uma historia
    E voltaste, outra vez.
    De mão no rosto!
    Uma esmola… só uma…
    Mas não, MENINO,
    Em vez dela,
    Dei-te um livro,
    E li-te uma história, linda
    E tu, feliz,
    Sorriste …

    João Manuel

  2. Emoções de Páscoa

    Da porta emtreaberta,
    Velha, carcomida e gasta,
    Por um tempo sem idade,
    Jorrou, ansioso,
    Um bando de pétalas de flor.
    De tantas cores…
    Que julguei sentir,
    um arco – íris de criança,
    A brincar ao faz de conta.

    E como a abençoar,
    Este turbilhão de cores,
    Irrompe,
    De mansinho,
    Com ternura de embebecer,
    Uma velhinha , terna e meiga,
    Que o tempo não conseguiu gastar
    Porque no seu olhar,
    De uma criança feliz,
    Sorria a Paz
    De um coração em Amor,
    E num sorriso se enbalar, me diz
    ” Feliz Páscoa, senhor…! ”

    E eu, parado naquele instante,
    No meio de tanto encanto,
    Sem palavras para dar,
    Ofereci-lhe uma das pétalas,
    Que ela lançou no ar …
    E para que a guardasse,
    Bem junto de seu coração,
    Colei – lhe um beijo de Paz !
    Pegando na sua mão,
    Susurrei – lhe muito ao de leve.
    ” Páscoa também feliz ! ”
    …E sorri.

    João Manuel

  3. Gentes de outros antes

    Vi pessoas bem falantes,
    Falando não sei de quê.
    Vi projectos… vi fantasmas…,
    Futuros desencontrados,
    Passados que já são antes,
    Presentes que são passados.

    Não vi ciganos, nem outros,
    Não vi raças, nem diferenças.
    Vi apenas pessoas!
    Umas puras, outras não…
    Vi Futuro, vi Esperança
    O amanhã em flor!…
    Vi duas tulipas brancas,
    A falarem-me de amor.
    Isso vi!

    Não me falem de ciganos,
    Nem de outros que o não são.
    Somos apenas pessoas,
    Nascidas p´ra dar a mão.
    E vendo aquelas tulipas,
    A dar-nos uma lição
    P´rós que teimam em chamar-lhes
    Ciganos de outra nação…
    Eu só posso estar feliz,
    Lindas flores em botão!

    Aos que vos chamam ciganas,
    Quase nossos…ainda não,
    Só posso sentir-lhes pena,
    Dizer-lhes bem alto,
    NÃO!

    Crescei, lindas tulipas,
    Sem temor de exclusão.
    Já não sois ciganas, não.
    Antes meninas, que sonham,
    Ser jovens, em união,
    Com jovens das outras gentes,
    Que igual a vós,
    Também sonham
    Crescer no mesmo jardim!…
    Vós já dissestes que sim,
    Outros acham que ainda não…

    João Manuel

  4. ACEITAÇÃO

    Desde sempre a amizade
    Foi laço eterno e sagrado
    Afastada da maldade
    Hipocresia, violência, …
    Que supera os limites
    Mais sublimes da decência.

    Não somos todos iguais,
    Porvezes até divergimos
    E por isso discutimos…
    Uns menos, outros mais…

    É nessa diversidade
    Que crescemos e evoluímos;
    Aceitando os ideais
    Daqueles que nos cercam;
    Por vezes tão banais…
    (Para alguns, nada prestam)!
    Mas sem querer ousar
    Incutir-lhes nossa vontade,
    O melhor será escutar…
    Com ouvidos de bondade.

    É nessa aceitação
    Do semelhante como irmão
    Que daremos por cumprida
    A nossa verdadeira missão.

    Fátima Afonso

  5. Dia Mundial do Livro

    Venham!! Venham todos…
    Crianças de todo o Mundo…
    Juntem -se aqui,
    Ao pé de mim.
    Não importa a idade…
    Nem a vossa cor…
    Venham todos!!
    Tragam a vossa alegria
    A vossa felicidade e fantasia
    Vosso brinquedo
    As vossas mãos
    Vazias de nada
    A vossa diferença
    ou até a vossa amizade
    Venham venham todos
    Juntem-se aqui
    Ao redor de mim
    Isso!!
    Sentem-se no chão
    Em roda
    Quero-vos todos bem juntos
    Venham, meninos de cá
    Daí, do Brasil, do Sri Lanka, do Darfur ou de Timor, e de Angola também
    Venham todos!
    E tu aí, menino diferente
    Vem para aqui
    Juntem-se todos
    Assim bem pertinho
    Amigos muito amigos
    E agora fechando os olhos
    Vamos pensar
    Vamos sentir
    Que todos nós
    Sem excepção
    Somos folhas de um livro
    Páginas de vidas enganadas
    De gente que não vos quer ler
    Nem há-de
    E eu, a todos vos guardo
    Nesta vasta imensidade
    Dentro da capa de um livro
    A que vou chamar VERDADE

    Dedico-te este poema
    A ti que o leste
    E que nunca pensaste
    Que ler, no fundo
    Pode também ser
    Aprender a ver o Mundo

  6. PARA TI, QUE QUERES VOAR…

    INCENTIVO

    Sou um simples passarinho
    Que te quer deixar uma mensagem
    Por toda a tua vida
    Te desejo fé, força e coragem

    Também já fui pequenino
    Cheio de receio e medo
    Hoje tenho uma família
    E à minha mãe o devo

    Ainda ouço seus conselhos
    Quando aprendi a voar:
    “- Anda, esforça-te, abre as asas…
    Um dia terás teus filhos
    Para alimentar…!”

    Medroso de cair
    E não voar
    No ninho ali ficava…
    Enquanto minha mãe, meus irmãos
    A sobreviver lhes ensinava.

    Houve um dia, porém,
    Que me enchi de coragem…
    As asas abri… e voei
    Tão alto e feliz da vida
    Por ver que foi conseguida
    A proeza que eu mais temia…
    E minha mãe, orgulhosa,
    Incentivava-me e dizia:
    “- Força, filho, que tu és capaz
    De altos voos fazer…!”
    tornei-me, de facto, um ás,
    E aos meus irmãos eu fiz ver.

    Deixei para trás o medo,
    A insegurança e o pavor
    Hoje sinto-me feliz
    De aos outros dar amor.

    Segue estes conselhos
    Deste pequeno passarinho
    Que voou de tão longe
    Para te dar força e carinho.

    Fátima Afonso

  7. Se eu pudesse,
    Mostrava-te o mar,
    Pedia-lhe emprestado um tom de azul,
    E um pouco de verde também
    Para te poder falar da Natureza.
    Se eu soubesse dizer-te,
    A cor do vento,
    E o calor de um raio de sol, falava-te da vida.
    Que bonita é a vida !

    Se eu conseguisse,contava-te uma história,
    Levava-te pela mão,
    Rumo ao sonho.
    Sei tantas histórias…
    De Fadas, de Castelos e Princesas, de Dragoões… eu sei lá
    Se tu quisesses… falava contigo,
    Inventava-te um sorriso feliz,
    Mesmo que estivesses triste…
    Se tú quisesses
    menino,
    Tinhas o mundo na tua mão!

    Mas eu queria! Eu quero!
    Tenho só que aprender a ler!…

    Não faz mal, Menino,
    Eu espero por ti.
    A vida inteira , se quiseres
    Claro que espero. Vou guardar-te na minha estante, bem pertinho dos meus boneco preferido…
    E quando souber ler,
    Prometo fazer de ti o meu melhor amigo !…

    E o livro contente, adormeceu
    Joao Manuel

  8. … pelas crianças. TUDO!!
    … para que aprendam a gostar de ler, muito mais ainda !!

    João Manuel

  9. A minha rua

    A minha rua mora comigo.
    Desde que me conheço
    E falo com ela, todos os dias,
    Como se ela me ouvisse!
    E ela, a minha rua,
    Sabe ouvir-me como ninguém.
    Ela tem qualquer coisa de mulher.
    Ou de mãe,
    Não sei ainda bem.
    Mas ela ouve-me,
    E acinzenta quando estou triste,
    Ou rejubila de luz, quando sorrio
    A minha rua, sabe dos meus segredos,
    Dos meus amores, dos meus projectos,
    E das minhas fragilidades, também.
    Ela é minha confidente,
    O meu pedaço de mim,
    Que só se abre, quando ela me dá a mão.
    Não é rua sem saída,
    Tem um princípio e fim.
    E por causa disso mesmo,
    Como em tudo na vida é assim ,
    É que ela, a minha rua,
    Mora bem dentro de mim.

    João Manuel

  10. Caros Colegas: João e Fátima

    AQUI VIM POR CURIOSIDADE
    POIS NÃO SABIA O QUE ERA ISSO DO BLOGUE
    AGORA QUE JÁ SEI, VOU-ME PORTAR BEM
    PARA AQUI PODER ESCREVER
    ALGUMA COISA DE BEM…

    Gostei muito do poema ” A minha rua”… Os meus parabéns.

  11. professor joao vou fazer um poema que rima

    a daniela estava na rua
    e viu uma gata nua
    quando ia a passar
    viu uma gata a olhar

  12. o poema está muito bonito, espero que continues assim !

    um beijo

  13. Olá professora Fátima e professor <joão
    Hoje celebramos o amor e a amizade.E desta forma agradecemos todo o carinho com que nos recebeis na Biblioteca.
    Nós gostamos muito de ir à biblioteca e de levar livros para casa.
    Obrigado por darem vida à biblioteca. Mil beibinhos da turma 2.º D

  14. OLÁ, GOSTEI MUITO DAS POESIAS!!RSRSRS…


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