Publicado por: enguardas | 12/02/2008

Versos de fazer ó-ó

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Ler uma poesia com gestos e transmiti-la aos colegas, de boca fechada, não pensem que é difícil. O difícil é fazê-los sentir a poesia. E os nossos alunos do 3.º e 4.º anos conseguiram. Leram “Versos de fazer ó-ó” de boca fechada: com gestos, com as mãos, com o corpo, como se José Jorge Letria estivesse ali ao lado a declamar o seu poema. Foi lindo de ver!
… e as crianças, certamente, passaram a gostar mais de poesia. Sem voz; apenas com a linguagem corporal…

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Com a sua vara de condão
A fada, no pirata tocou
Desde aí, passado então
O pirata em bom se transformou.

Está o Pedro a dormir
Está a sonhar com uma cabana
Mas não sabe que está ali
O velho João Pestana.

Veio o João Pestana
Para me adormecer
E espero que um dia
Eu o possa conhecer.

Eu monetei o meu cavalo
Nas suas asas brancas
Voou até ao castelo
Onde estava a cinderela.

Eu sonhei com a cinderela
Numa noite de luar a brilhar
Enquanto estava à janela
E os passarinhos a cantar.

Eu sonhei com os piratas
Que descobriram o tesouro
Estava cheio de estrelas
E todas eram de ouro.

Eu encontrei uma fada,
Com varinha de condão,
Fez-me uma linda magia,
Fiquei a ser uma bola de sabão.

O soninho já chegou,
trazido pelo João Pestana,
Dormi toda a nitinha,
dentro da minha cabana.

Eu sonhei, no meu soninho,
Que era o faraó
E ao meu lado estava o Nilo
Onde eu fazia ó-ó.

Encontrei um mapa velho
No baú do meu sotão
Pequenino, nele encontrei amizade,
amor e muito carinho.

!.º e 2.º anos ler poesia em forma de jogo foi a actividade proposta.
Adaptou-se um excerto de 3 sugestões de quadras retiradas de “Versos de fazer ó.ó”.
Estas, depois de trabalhadas em cada grupo, determinaram a execução de desenhos que expressavam as emoções sentidas por cada elemento do grupo.

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Responses

  1. Olá a todos:

    Vi o vosso blog e fiquei muito sensibilizada, achei o vosso trabalho fascinante…continuem a fazer algo que mostre claramente que nem a criança surda-muda, nem a escola na qual está integrada podem ser discriminadas no interior da sociedade de ouvintes. Aqui deixo o extracto de um artigo escrito pelo médico Daniel Serrão, reforçando a ideia que devemos “criar todas as condições para que estas crianças prolonguem e enriqueçam a descoberta do mundo sensível que caracteriza a fase pré-verbal de todas as crianças; mas uma descoberta que não será orientada para o futuro discurso oral e escrito, porque não se trata de dar nomes às coisas como Iavé ordenou ao primeiro homem, mas de reconhecer e memorizar todas as coisas pela sua forma, o seu cheiro, o seu movimento, a sua textura, a sua transformação num tempo e num espaço não abstractizados mas vividos; em relação a muitas criaturas animais e, muito particularmente às criaturas humanas, a percepção sensível, aprofundada e misteriosa, do olhar do outro, da riqueza inexaurível que está contida no olhar que me fita e que eu fito, no sorriso que o envolve, no gesto corporal que o completa”.

    Continuação de bom trabalho


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